Iniciativa no RN reduz em 94,2% a mortalidade de aves migratórias em linha de transmissão de energia na Praia de Soledade
- savebrasil
.png/v1/fill/w_320,h_320/file.jpg)
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Parceria entre Brava Energia, IDEMA e SAVE Brasil combina desenvolvimento energético e conservação da biodiversidade no litoral potiguar

Um projeto de monitoramento e mitigação de impactos ambientais na Praia de Soledade, município de Macau/RN, alcançou um resultado expressivo após uma aliança entre iniciativa privada, organização da sociedade civil e poder público: a mortalidade de aves migratórias por colisão com a linha de distribuição de energia elétrica foi reduzida em 94,2% no último ciclo de monitoramento. Esse resultado preliminar parece comprovar a eficácia das medidas estruturais adotadas pela Brava Energia em parceria com a SAVE Brasil, organização reconhecida internacionalmente pela conservação de aves.

Entre agosto de 2025 e abril de 2026, os monitoramentos registraram apenas dois casos de aves encontradas mortas nas proximidades da linha, ante 11 ocorrências observadas em 2023— período anterior à implementação das intervenções. O resultado é fruto da alteração nas estruturas dos cabos de energia da linha de distribuição nos trechos de maior incidência de colisões e da instalação de marcadores visuais, que aumentam a percepção dos cabos pelas aves em voo.
Ciência aplicada à conservação
O trabalho de campo foi conduzido pela equipe técnica da SAVE Brasil, que percorreu cerca de 30 km diários, em ciclos de sete dias consecutivos de busca ativa por carcaças, alternados com sete dias de pausa. Cada ocorrência foi georreferenciada e registrada com informações sobre espécie, condição da carcaça e status da maré, permitindo uma análise dos padrões de movimentação das aves entre áreas de alimentação e descanso.
Entre as espécies ameaçadas encontradas na região estão o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), o maçarico-bico-torto (Numenius hudsonicus) e o maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus) — todas ameaçadas estadual e nacionalmente, e reconhecidas em estratégias hemisféricas de conservação. A Praia de Soledade integra a Bacia Potiguar, região estratégica reconhecida internacionalmente para aves migratórias que utilizam o litoral norte-rio-grandense como ponto de parada e alimentação em suas rotas anuais.
Sobre a parceria
O projeto é resultado de uma cooperação entre a Brava Energia e a SAVE Brasil, que unem expertise do setor privado e conhecimento técnico-científico em prol da conservação ambiental.
O responsável pelo licenciamento ambiental onshore da Brava, José Nilson, reforça: "Projetos como este evidenciam que a colaboração entre diferentes atores é capaz de transformar desafios em soluções concretas e sustentáveis de longo prazo, demonstrando o quão possível é conciliar a atuação empresarial com a preservação da biodiversidade de forma estruturada e replicável".
Essa iniciativa atende às exigências da legislação ambiental brasileira e se alinha às recomendações da BirdLife International — rede global da qual a SAVE Brasil é parceira no país — para a adoção de medidas mitigadoras em empreendimentos energéticos localizados em áreas críticas para a biodiversidade.
“Essa parceria mostra que desenvolvimento econômico e conservação podem caminhar juntos”, destaca João Damasceno, coordenador do projeto pela SAVE Brasil. “As medidas adotadas são tecnicamente viáveis e geram um ganho expressivo para a proteção de espécies que viajam milhares de quilômetros entre os hemisférios.”
Além dos benefícios ecológicos, o projeto tem um caráter social: jovens da comunidade integraram a equipe de campo, recebendo capacitação técnica e contribuindo para o fortalecimento da cultura de conservação na região.
Transparência e replicabilidade
Os resultados completos do monitoramento — incluindo dados de todas as ocorrências, imagens e análises — estão consolidados no relatório final entregue ao IDEMA e disponíveis para consulta pública. A iniciativa serve como modelo para outros empreendimentos instalados em áreas costeiras do Brasil, demonstrando que é possível conciliar infraestrutura energética com a preservação da biodiversidade, desde que haja planejamento, monitoramento sistemático e compromisso com a melhoria contínua.
Informações para a imprensa:
Marina Fagundes, comunicacao@savebrasil.org.br




Comentários