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Drone térmico ajuda pesquisadores a localizar uma das aves mais raras da Mata Atlântica no sul da Bahia

Expedição liderada pela SAVE Brasil testa tecnologia para monitorar o crejoá, ave criticamente em perigo de extinção


Foto: Ben Phalan/SAVE Brasil
Foto: Ben Phalan/SAVE Brasil

Em junho, a SAVE Brasil liderou uma expedição científica realizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, no sul da Bahia, para testar uma tecnologia inovadora de monitoramento de aves do dossel da Mata Atlântica utilizando drones equipados com câmera térmica. A expedição foi realizada em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e outros pesquisadores. O objetivo foi desenvolver um método capaz de estimar a densidade populacional de aves frugívoras, especialmente do crejoá (Cotinga maculata), uma das aves mais ameaçadas do Brasil.


A expedição buscou testar a eficiência da tecnologia também para o monitoramento do anambé-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea), outra espécie da família Cotingidae, utilizada como espécie-modelo por apresentar hábitos semelhantes aos do crejoá, porém com maior abundância e menor grau de ameaça.


Endêmico da Mata Atlântica brasileira, o crejoá é classificado como Criticamente em Perigo de extinção em nível global. Em 2019, a espécie teve sua categoria de ameaça elevada na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) devido ao aparente desaparecimento de populações em parte de sua distribuição histórica, especialmente no Espírito Santo.


Além disso, pesquisadores e observadores de aves relatam uma redução nos registros da espécie na própria RPPN Estação Veracel, um dos locais mais importantes para sua conservação. O cenário reforça a necessidade de compreender melhor o tamanho da população, o uso do habitat e a ecologia da espécie para orientar estratégias de conservação mais efetivas.


O crejoá vive predominantemente no dossel da floresta, movimenta-se discretamente entre as copas das árvores e não possui vocalizações fortes que facilitem sua localização em campo, tornando a sua localização mais desafiadora. Essas características tornam os métodos tradicionais de monitoramento pouco eficientes para a espécie.


Durante a expedição a equipe utilizou um drone DJI Matrice 4 Thermal (M4T), capaz de combinar imagens térmicas e imagens coloridas em alta resolução. A tecnologia permite detectar animais a partir da diferença de temperatura corporal em relação à vegetação, facilitando a localização de indivíduos escondidos no dossel.


Ao longo dos cinco dias de trabalho, foram realizados 19 voos experimentais sobre a floresta. Os resultados surpreenderam os pesquisadores. O método se mostrou eficiente para detectar aves e mamíferos no topo das árvores, permitindo registrar um chauá a aproximadamente 150 metros de distância e indivíduos de anambé-de-asa-branca a mais de 60 metros.


O anambé-de-asa-branca foi registrado em todos os dias da expedição e, no último dia de campo, a equipe conseguiu localizar um indivíduo de crejoá e filmá-lo utilizando o drone, um resultado considerado extremamente promissor para o desenvolvimento da metodologia.


Outro aspecto observado foi a baixa reação das aves à presença do equipamento. Segundo os pesquisadores, os indivíduos monitorados não apresentaram sinais de perturbação mesmo quando o drone se aproximava para registro de vídeos.


A tecnologia já vem sendo utilizada no monitoramento de primatas do dossel de forma eficiente pelo professor Fabiano Rodrigues de Melo, da UFV, que operou o drone na expedição. Os resultados obtidos na Bahia indicam que ela também possui grande potencial para pesquisas com aves florestais e espécies de difícil detecção.


Além da localização dos animais, o método também possibilita identificar árvores em frutificação, informação importante que ajuda na detecção do crejoá e de outras espécies ameaçadas da Mata Atlântica.


Embora a técnica ainda exija operadores altamente capacitados e novos estudos para validação científica, os resultados obtidos durante a expedição apontam para uma ferramenta promissora para ampliar o conhecimento e fortalecer a conservação de espécies que vivem no topo das florestas brasileiras.


Esse método, junto com métodos mais tradicionais de observação, mostra potencial para ajudar a gente a entender melhor a situação do crejoá, uma das aves mais lindas e ameaçadas do Brasil, e o símbolo do Plano de Ação Nacional das Aves da Mata Atlântica”, disse Ben Phalan.

A expedição foi liderada pela SAVE Brasil, representada pelo coordenador de Ciência, Ben Phalan, e realizada em parceria com o professor Fabiano Rodrigues de Melo, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), o ornitólogo Gustavo Rodrigues Magnago, Ítalo Azevedo, e o guia local Jailson de Souza Santos, com apoio da RPPN Estação Veracel.


Sobre a SAVE Brasil


A SAVE Brasil é uma organização da sociedade civil dedicada à conservação das aves brasileiras e de seus ambientes naturais. Atua em diferentes regiões do país desenvolvendo projetos de pesquisa, proteção de espécies ameaçadas, restauração de habitats, educação ambiental e engajamento da sociedade em ações pela conservação da biodiversidade.




 
 
 

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