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Do seu olhar à conservação: Como maximizar o valor das suas observações de aves para a conservação

15 de set.
6 min de leitura
Foto: Leonardo Borrelli
Foto: Leonardo Borrelli

Você já parou para prestar atenção nos sons e movimentos que acontecem ao seu redor todos os dias? Seja o canto de um passarinho que cruza o céu enquanto você toma um café na sacada do prédio, a surpresa de ver uma espécie colorida numa árvore da rua, ou aquela expedição planejada no interior de uma floresta conservada.


O prazer de simplesmente parar, exercitar os sentidos e observar as aves (birdwatching) é uma das atividades de conexão com o meio ambiente  mais democráticas e transformadoras que existem. Ela muda a nossa percepção sobre o espaço onde vivemos, revelando que a natureza não está apenas em documentários distantes,  ela compartilha a rotina com a gente.


Mas hoje, graças à tecnologia e aos aplicativos no celular, essa mudança de olhar pode ir muito além do encanto pessoal: ela pode contribuir diretamente para a ciência cidadã. E a beleza dessa atividade é que toda observação tem valor. O registro de um sanhaço na janela, um bando de periquitos urbanos ou de uma tesourinha tem uma importância científica preciosa, tão fundamental quanto o avistamento de uma espécie rara dentro de uma Unidade de Conservação.


Para que essa percepção se converta em conservação real, só precisamos de um detalhe: saber como maximizar o valor dos nossos registros. Neste artigo, você vai descobrir como transformar sua atenção diária em dados que protegem a biodiversidade!


O poder de reunir as observações de milhares de pessoas em uma única plataforma de dados


Quando a ciência cidadã se torna uma prática contínua, os resultados são impressionantes. A soma das observações individuais cria um banco de dados de alcance global (observações do eBird, iNaturalist e outras plataformas são enviadas para o banco de dados global, GBIF) e apoia políticas públicas no Brasil inteiro. Juntos, estamos construindo um conhecimento da distribuição e movimentos das aves num nível de detalhe que não foi possível no passado. Entre as aplicações da ciência cidadã são:


Mapas dinâmicos de distribuição e migração


Com as informações enviadas por milhares de pessoas no dia a dia, surgem mapas fascinantes sobre os movimentos das aves ao longo do ano:

  • Surpreenda-se com a rota das aves: Clique para ver a animação de abundância da tesourinha e outras espécies e entenda, com a ajuda de dados de cientistas cidadãos, como espécies tão presentes no nosso dia a dia desenham rotas migratórias impressionantes.

  • Entenda a distribuição de espécies ameaçadas: Veja com seus próprios olhos o mapa de abundância do maçarico-acanelado e identifique as áreas prioritárias onde os dados da comunidade estão ajudando a proteger essa espécie vulnerável.


    maçarico-acanelado (calidris subruficollis). Foto: Raphael Kurz.
    maçarico-acanelado (calidris subruficollis). Foto: Raphael Kurz.

Identificação de Áreas Prioritárias


Dados de ciência cidadã são utilizados diretamente por organizações, como por exemplo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a SAVE Brasil para identificar as áreas mais importantes para a conservação das aves e outras espécies.


Informação sobre espécies ameaçadas


Informações de ciência cidadã estão se tornando um componente essencial na avaliação de espécies em listas vermelhas estaduais, nacionais e global. Com a democratização de ciência, temos a possibilidade de atualizar informações sobre a distribuição e ocorrência de espécies ameaçadas em tempo record, e contribuir no monitoramento das populações.   

O registro feito na sacada do seu apartamento ou na praça do bairro ajuda a compor o panorama nacional utilizado para criar políticas públicas de conservação e estabelecer novas Unidades de Conservação!


Escolhendo a Plataforma Certa para o Seu Perfil


Seja você é uma pessoa iniciante e que acabou de notar os passarinhos da janela ou um mesmo um observador veterano explorando parques e reservas, existe uma ferramenta sob medida para você:

Plataforma

Para quem é ideal?

Dica de ouro de conservação

Quem está começando e quer aprender a identificar o que viu/ouviu, além de observadores de espécies de fauna, flora e funga no geral

Use o aplicativo diretamente no campo para registrar a localização com o GPS do celular com máxima precisão.

Quem quer documentar a avifauna nacional com fotos e áudios.

Detalhe o local do registro! Indicar que a observação ocorreu dentro de uma área protegida ou parque específico ajuda no mapeamento dessas áreas.

Quem gosta de fazer listas de aves, registrar o tempo e contar indivíduos.

Ative o GPS no app para ter precisão no percurso e evite pontos genéricos ("hotspots" muito amplos) quando estiver em um local específico.

  

Guia de boas práticas: Valorizando cada registro


Para que a sua nova percepção sobre as aves tenha o maior valor científico possível, siga estes passos simples:


1. Toda espécie importa (Listas completas e contagens)


Não guarde seu aplicativo apenas para quando encontrar uma raridade no meio do mato. Quando fizer uma lista, anote todas as espécies que conseguiu identificar, inclusive o joão-de-barro, o pardal ou a rolinha na fiação elétrica. Tente também estimar a quantidade de indivíduos. Para a ciência, saber a quantidade e a presença constante de espécies comuns é vital para identificar mudanças ecológicas ao longo dos anos.


2. Capriche na precisão da localização e data


Sempre garanta que a data e o ponto exato da observação estejam corretos. Saber o local preciso ajuda cientistas a cruzar dados de presença de aves com imagens de satélite, manchas de vegetação e áreas de expansão urbana ou agrícola, e gerar resultados mais confiáveis sobre a distribuição e necessidades das espécies.


3. Registre fotos e áudios com cuidado


Se conseguir fotografar ou gravar o som (mesmo que com o próprio celular), inclua no seu registro! A documentação ajuda a comprovar a presença da espécie. Essa documentação é mais importante ainda em casos de espécies raras ou fora da distribuição normal.


Atenção com o Merlin: O aplicativo Merlin Bird ID se tornou um grande parceiro para identificar cantos pelo celular, mas use com cautela! Ele é uma excelente ferramenta de apoio, mas pode conter erros e ainda não reconhece muitas das espécies brasileiras. Nunca confirme um registro raro apenas porque o Merlin "ouviu" — tente sempre avistar a ave ou validar com observadores mais experientes.


4. Aprimore seu olhar


Uma das formas mais eficazes, e também mais divertidas, de aprimorar seu conhecimento sobre as aves é participar de passarinhadas coletivas e sair com grupos locais. Um exemplo marcante no Brasil é o Vem Passarinhar Sampa, um projeto que une observadores de aves em parques e áreas verdes da Grande São Paulo.


Vem Passarinhar Sampa. Foto: Marina Fagundes
Vem Passarinhar Sampa. Foto: Marina Fagundes

Envolve não somente encontros de entusiastas, mas também gera dados sobre a ocorrência e distribuição das aves ao longo dos anos. Através de saídas periódicas e registros constantes acumulados, os dados do Vem Passarinhar Sampa podem contribuir a responder perguntas vitais que nenhuma pesquisa pontual conseguiria, e mostra aos gestores públicos quais áreas precisam de proteção prioritária.


Além de aprender na companhia de outros observadores, busque guias de campo e outros livros sobre aves. Outra excelente referência é a plataforma Birds of the World — que hoje conta com fichas em português através de uma parceria com a SAVE Brasil.


Ampliando seus horizontes na observação


Conforme sua sensibilidade para a avifauna aumenta, sua contribuição para a ciência também evolui:


  • Acompanhe o ciclo das estações: Descubra quais espécies migratórias chegam à sua região em determinada época do ano e quais são residentes. 


  • Conheça as espécies endêmicas e ameaçadas: Algumas espécies têm uma distribuição muito restrita, enquanto outras ocorrem em muitas regiões e países. Conheça as espécies que ocorrem somente no seu bioma, onde você mora, e as espécies ameaçadas de extinção, nas listas vermelhas nacional e global.


  • Adote um "ponto de observação": Que tal escolher um parque perto de casa, a praça do bairro ou até a vista da sua janela e fazer listas regulares ao longo de todo o ano? Acompanhar as mudanças ao longo das estações cria uma série temporal valiosíssima.


  • Preencha lacunas no mapa: Visite municípios vizinhos ou locais que possuem poucos registros nas plataformas. Às vezes, a poucos quilômetros de casa existe um "vazio de dados" só esperando a sua visita para revelar grandes surpresas!

 

A natureza espera por você


A ciência cidadã é a prova de que a conservação ambiental não depende só de grandes expedições científicas. Ela começa na nossa postura diária de desacelerar, olhar ao redor e reconhecer a vida que habita o mesmo espaço que nós.


Seja no alto de um prédio na metrópole ou no coração de uma reserva florestal, suas observações são peças fundamentais de um grande quebra-cabeça.


Pegue seu celular, prepare o olhar e lembre-se: cada registro conta e o importante é se divertir no caminho!


Juliana Vitório, bióloga e coordenadora de engajamento da SAVE Brasil

 
 
 

2 comentários


Word Letter
18 de set.

Rather than searching through a huge dictionary whenever a puzzle becomes difficult, 5 letter words gives players a more targeted approach. The search can be shaped around the information already discovered, keeping unrelated options out of the way. This makes the remaining possibilities easier to review and keeps attention focused on solving the actual letter pattern.

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Perry Katy
Perry Katy
16 de set.

I really like the focus on turning bird observations into useful conservation data. It shows how even casual birdwatching can contribute to something meaningful. After reading this, I’m taking a short break with Golf Hit.

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Save Brasil e Bird Life

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