Trinca-ferro, uma das aves mais visadas pelo tráfico

O trinca-ferro (Saltator similis) é uma ave que atrai muitas pessoas pelo seu canto e também por isso é comumente capturada para ser vendida. Pertencente à família Thraupidae, não apresenta dimorfismo sexual e é um típico onívoro, alimentando-se de frutos, insetos, sementes, folhas e flores. Apesar de ocorrer na fronteira com vizinhos latinos, como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, ele tem distribuição exclusiva no Brasil, nas regiões centro-oeste, nordeste, sul e sudeste do país.

Trinca-ferro anilhado solto pelo pelo Plano de Voo. Foto: Marco Silva

Trinca-ferro anilhado solto pelo pelo Plano de Voo. Foto: Marco Silva

Apesar da espécie constar como Menor Preocupação (LC) na lista de espécies ameaçadas da IUCN, há indícios de que possa estar ameaçada localmente em algumas regiões da sua ocorrência, devido principalmente ao tráfico e a perda de habitat. A espécie é muito criada para competições de cantos, torneios que apresentam regras e chegam a contar com mais de 200 indivíduos.

O trinca-ferro é uma das espécies mais recebidas nos centros de recebimento e triagem de animais silvestres (CRAS e CETAS) de São Paulo, proveniente principalmente de apreensões de traficantes. O tráfico de animais silvestres é o terceiro maior, perdendo apenas para tráfico de drogas e armas. Nesse cenário, a SAVE Brasil criou o projeto Plano de Voo, em convênio com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, que tem como objetivo devolver à natureza aves apreendidas pelo comércio ilegal de animais silvestres seguindo diretrizes técnico-científicas e monitorá-las através de um programa de monitoramento participativo.  Em parceria com o Centro de Recuperação de Animais Silvestres do Parque Ecológico do Tietê (CRAS-PET/DAEE-SP), em 2016 o projeto devolveu à natureza, após exames clínicos de saúde e determinação da destinação correta, 175 indivíduos de trinca-ferro, em três áreas de soltura do estado de São Paulo. Essas áreas estão sendo monitoradas desde as solturas, para que se possa entender o que acontece com os animais que são soltos.