Mata de Caetés

Saíra-apunhalada ganha refúgio na Mata Atlântica do Espírito Santo

Em maio, a saíra-apunhalada (Nemosia rourei) ganhou um refúgio na Mata Atlântica do Espírito Santo com a criação da RPPN Águia Branca, com 1.688 hectares, representando a 2ª maior área particular protegida do estado. A reserva está localizada na região serrana do Espírito Santo, em Vargem Alta, entre os parques estaduais de Forno Grande, em Castelo, no sul do estado, e da Pedra Azul, em Domingos Martins.  O ato de criação da RPPN é da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

A SAVE Brasil atua na região desde 2005, apoiando a proteção da área da Mata de Caetés. Ao longo dos últimos anos, a SAVE Brasil também vem trabalhando em conjunto com o Governo do Estado do Espírito Santo para a criação de um Refúgio de Vida Silvestre de 4.300 hectares em área adjacente à reserva recém criada. As consultas públicas foram realizadas em abril de 2016, mas o processo ainda está em andamento.

Essa área, reconhecida pela SAVE Brasil e BirdLife International como uma IBA (Área Importante para a Conservação das Aves e Biodiversidade) prioritária, abriga 250 espécies de aves, das quais 6 estão globalmente ameaçadas de extinção, incluindo a saíra-apunhalada, Criticamente Ameaçada (CR). Essa espécie ficou desaparecida por mais de 50 anos, e já acreditava-se que estava extinta, até que foi avistada em 1998 dentro de duas propriedades privadas com remanescentes florestais bem preservados na Mata de Caetés no Espírito Santo. As outras cinco espécies ameaçadas encontradas na região são: gavião-pombo-pequeno (Leucopternis lacernulata), apuim-de-costas-pretas (Touit melanonotus), apuim-de-cauda-amarela (Touit surdus),  papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea),  e a araponga (Procnias nudicollis).  Mamíferos ameaçados também ocorrem na área, incluindo o sagui-da-serra (Callithrix flaviceps).

A criação da RPPN Águia Branca representa uma importante vitória para a conservação em longo prazo dessas espécies, e espera-se que contribua para acelerar o processo de criação do Refúgio de Vida Silvestre, protegendo um total de 6.000 hectares de hábitat de Mata Atlântica.