Resultados do monitoramento de aves na Serra do Urubu

Resultados do monitoramento de aves na Serra do Urubu

Desde 2005, a SAVE Brasil realiza na Serra do Urubu o monitoramento de aves, tanto nas áreas de floresta, quanto nas áreas de restauração.

Este monitoramento revelou que espécies criticamente ameaçadas de extinção, como o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) e a choquinha-de-alagoas (Myrmotherula snowi), estão em uma situação muito alarmante, uma vez que a primeira não é registrada desde 2011 e a segunda desde 2009.

Apesar do desaparecimento destas espécies, o monitoramento de aves também trouxe boas notícias para a região, mostrando que os esforços de conservação na área estão surtindo efeito. Espécies de aves indicadoras de boa qualidade ambiental estão aparecendo na Serra do Urubu, como é o caso da araponga-do-nordeste (Procnias averano) e do tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus). Além destas duas, uma espécie de ave cinegética também está mais freqüente nos monitoramentos recentes, o jacupemba (Penelope superciliaris), indicando que a pressão de caça pode ter reduzido.

As aves também estão indicando muito sucesso nas áreas de restauração florestal, uma vez que antes do plantio e nos primeiros anos de monitoramento (2010 – 2012) eram encontradas menos do que 10 espécies de aves, todas típicas de áreas abertas e de pasto, como o tiziu (Volatinia jacarina) e o tico-tico-do-campo (Ammodramus humeralis). No entanto, o monitoramento de 2013 teve 23 espécies registradas e surpreendeu as instituições envolvidas no projeto com as espécies que estão aparecendo na área de restauração, incluindo quatro espécies de aves dispersoras de sementes como o sabiá-do-campo (Mimus saturninus), a saíra-amarela (Tangara cayana), o sanhaçu-cinzento (Tangara sayaca) e o sanhaçu-do-coqueiro (Tangara palmarum). Também foram observadas quatro espécies de beija-flores, que estavam polinizando na área de restauração: o beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura), o beija-flor-preto (Florisuga fusca), o beija-flor-vermelho (Chrysolampis mosquitus) e o beija-flor-de-bico-curvo (Polytmus guainumbi).

Estes resultados nos mostram que os esforços das atividades de restauração florestal estão sendo eficientes, pois já está ocorrendo uma rede de diversas interações ecológicas que estão se restabelecendo na região, refletindo na conservação da diversidade de aves local. O monitoramento de aves é extremamente importante para entender a efetividade das ações na região e está sendo financiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza através de um projeto para a promoção do ecoturismo e turismo de observação de aves na Serra do Urubu. A RPPN Pedra D’Anta, propriedade da SAVE Brasil, está de portas abertas para as pessoas que queiram conhecer as aves do Centro de Endemismo Pernambuco e os ilustres visitantes alados que apareceram para colorir mais a floresta nestes últimos anos.