Programa Aves Limícolas

Aves Limicolas ColorDentro da ordem Charadriiformes existem 13 famílias que até recentemente estavam incluídas na subordem Charadrii, e que são conhecidas em vários países do mundo como aves limícolas. O termo “limícolas” veio do hábito que várias delas possuem – alimentam-se de pequenos invertebrados que vivem no “limus” (lodo em latim). No Brasil, as principais famílias são: Haematopodidae (piru-piru), Charadridae (quero-quero e batuíras), Recurvirostridae (pernilongos) e Scolopacidae (maçaricos e narcejas).

Essas aves podem ser encontradas em praias e zonas úmidas próximas de água salgada, salobre ou doce. Em geral, alimentam-se de pequenos invertebrados aquáticos presentes no lodo, em águas rasas ou praias adjacentes.

Algumas espécies são migratórias, outras residentes. Das 47 espécies que ocorrem no Brasil, 13 são residentes, 4 são migrantes do cone-sul e 30 são migrantes do hemisfério Norte.

Durante seu ciclo anual, as espécies migratórias deslocam-se entre seus sítios reprodutivos e de invernada (onde se alimentam, descansam e fazem a muda anual de penas). A distância percorrida pode ser maior do que 30.000 km/ano.

Ao se deslocar entre os sítios reprodutivo e os de invernada, essas aves seguem  rotas migratórias, ou “flyways”. Existem oito flyways no mundo, das quais três estão nas Américas. São elas: I)Atlântica, II) Central, e III) Pacífica. As flyways Central e Atlântica sobrepõem-se ao território brasileiro.

Ao longo de sua migração, as aves limícolas param em sítios específicos por alguns dias para descansar e/ou acumular energia para a próxima etapa. Esses sítios são conhecidos como sítios “de descanso”, ou “de parada e alimentação”. Sem esses sítios para repor e acumular energia, as aves não conseguem sobreviver a essas longas migrações anuais.

O Centro de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) publica anualmente o Relatório Anual de Rotas e Áreas de Concentração de Aves Migratórias no Brasil, indicando sítios importantes para aves migratórias em todo o território brasileiro. Alguns desses sítios são formalmente protegidos, como o Parque Nacional da Lagoa do Peixe no RS, enquanto outros não.

 

CURIOSIDADE

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus). Foto: Brad Winn

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus). Foto: Brad Winn

Famoso pela distância que já voou, o indivíduo conhecido como “Moon Bird” é um maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), uma espécie ameaçada de extinção no Brasil.

O Moon Bird foi capturado pela primeira vez, já adulto, em 1995 na Argentina e anilhado com um código personalizado (B95). Desde então ele foi encontrado várias vezes na Argentina e nos EUA. A observação mais recente foi em maio de 2014, nos EUA. Com 21 anos de idade, esse animal já voou aproximadamente 640.000km – distância que o possibilitaria ir da Terra à Lua e ainda voar metade do caminho de volta à Terra. Seu feito é tão espetacular que foi celebrado pelo autor Phillip Hoose no livro Moonbird, a year on the Wind with the great survivor B95.

 

ESTADO DE CONSERVAÇÃO

O maçarico-de-papo-vermelho não é a única espécie ameaçada de extinção no Brasil. Várias limícolas sofreram declínio populacional marcantes nos séculos IXX e XX. As ações de conservação tomadas no hemisfério Norte interromperam o declínio populacional de várias espécies, mas não foram suficientes para interromper o declínio populacional de algumas espécies que migram para terras brasileiras. O maçarico esquimó (Numenius borealis) é um exemplo. Outrora abundante nas Américas, a espécie hoje é considerada Regionalmente Extinta no Brasil.

A última avaliação do estado de conservação das espécies de aves limícolas no Brasil, que utilizou os critérios da IUCN, indicou que 13 espécies merecem atenção. As espécies e suas categorias de ameaça são:

  • 5 espécies foram incluídas na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção: maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), o maçarico-rasteirinho (Calidris pursila), o maçarico acanelado (Calidris subruficollis), o maçarico de costas brancas (Limnodromus gesius) e a batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia). Dessas, apenas a últimas espécies é residente; as outras são migrantes do hemisfério Norte;
  • 3 espécies foram classificadas como quase ameaçadas: o vira-pedras (Arenaria interpes), o piru-piru (Haematopus palliatus) e o maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus);
  • 5 espécies foram classificadas como Dados Insuficientes: o maçariquinho (Calidris minutella), o batuíruçu (Pluviallis dominica), o narcejão (Gallinago undulata), a narceja-de-bico-torto (Nycticryphes semicollaris e o pisa-n’água (Phalaropus tricolor).

 

PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DE AVES LIMÍCOLAS – #SAVELIMICOLAS

O Programa de Conservação de Aves Limícolas da SAVE Brasil tem como principal objetivo assegurar a conservação a longo prazo das aves limícolas e seus habitats. Por esse motivo nossos projetos estão direcionados para:

  • Identificar e implementar ações que evitem ou diminuam as ameaças e impactos negativos sobre os habitats e populações de limícolas;
  • Aumentar o conhecimento sobre as ameaças, os habitats, a conectividade e a dinâmica populacional das espécies de aves limícolas no Brasil;
  • Engajar comunidades locais e a sociedade no monitoramento e na conservação de aves limícolas; e
  • Construir uma rede ativa de parcerias entre organizações e pessoas interessadas na conservação das aves limícolas e seus habitats.

 

As ações e projetos conduzidos dentro do escopo do Programa de Conservação de Aves Limícolas da SAVE Brasil estão alinhados com o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Limícolas Migratórias (PAN Limícolas) , o Atlantic Flyway Shorebird Initiative, e o BirdLife Americas Flyways Program.

Em breve incluiremos informações sobre cada um dos diferentes projetos que compõem o Programa de Conservação de Aves Limícolas.

Se você quer conhecer mais sobre o Programa entre em contato conosco em:
limicolas@savebrasil.org.br

 

Apoiadores:

BirdLife International, Bobolink Foundation, Instituto Iberdrola Brasil, Manomet Inc., U.S. Fish and Wildlife Service

 

Parceiros

Aves Uruguai, CEMAVE, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB-RS), Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), ICMBio, Organismo Provincial para el Desarrollo Sostenible, Argentina, Parque Nacional da Lagoa do Peixe (PNLP), Rede Hemisférica de Reservas para Aves Limícolas (WHSRN), Ricardo Duarte e João Paulo Damasceno, Roberta Rodrigues, Dra., UFPB, Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP) de Uruguay, Universidad de la Republica Uruguay, U.S. Fish and Wildlife Service, Wetlands International Latinoamérica y el Caribe.

 

Convenção de Espécies Migratórias