Tietê-de-coroa (Calyptura cristata) – espécie desaparecida da Mata Atlântica há 20 anos

O tietê-de-coroa (Calyptura cristata) é uma espécie endêmica da Mata Atlântica, considerada uma das mais raras e enigmásize_960_16_9_calyptura_cristata_William John Swainsonticas do planeta por ornitólogos do mundo todo. O último registro confirmado da espécie aconteceu em 1996.

Espécie de Passeriforme da família Platyrinchidae, e a única do Gênero Calyptura, o tietê-de-coroa foi declarado extinto após ter passado mais de 100 anos desaparecido, por todo o século XX, até que em 27 de outubro de 1996, o ornitólogo Ricardo Parrini registrou a espécie em uma região conhecida como Garrafão, a 500 m de altitude, na cidade de Teresópolis – RJ. Desde essa última aparição, temos apenas observações não confirmadas. Alguns desses registros incertos foram relatados na Serra do Mar, em Ubatuba e entre Nova Friburgo e Sumidouro em Setembro a Novembro de 2006.

Em museus, é possível encontrar peles dessa espécie, coletadas há muitos anos. Em 2007, foi encontrada no Museum für Naturkunde, em Berlim, uma pele de tietê-de-coroa proveniente de São Paulo, coletada entre maio de 1819 e abril de 1820, e que passou despercebida pelos pesquisadores. Essa descoberta aumenta a área de ocorrência da espécie, ou pelo menos uma área em que ela tenha ocorrido no passado.

Não há muitas informações sobre o tietê-de-coroa, mas acredita-se que sua alimentação se baseie em pequenas frutas, sementes e insetos, que é um pássaro discreto,  vive em casais e está sempre em movimento na vegetação do dossel à média altura na beira da mata, evitando expor-se na copa das árvores. Acredita-se também que seja uma ave tímida e inconspícua, era provavelmente fácil de ser observada empoleirando em galhos e explorando as bromélias.

A espécie está na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como criticamente ameaçada, ou seja, uma categoria antes de ser considerada extinta. Apesar de ocorrer também em florestas secundárias, a fragmentação do habitat é considerada a principal causa do desaparecimento da espécie.

calypturaPensando nesse cenário, o Observatório de Aves do Instituto Butantan juntou um grupo de pesquisadores voluntários para ir em busca do tietê-de-coroa. O roteiro da busca é baseado em duas expedições de 12 dias, sendo uma em outubro de 2016 e a outra no primeiro semestre de 2017, em diferentes estações do ano para maximizar as possibilidades de encontrar a ave, e também leva em consideração as características e os locais de coleta de espécimes empalhados disponíveis em museus ao redor do mundo. Uma análise prévia dos dados de registros históricos da espécie indica que a região Centro Fluminense, localizada entre a vertente interiorana da Serra do Mar e o Rio Paraíba do Sul, seria o local mais provável de ocorrência do pássaro.

Até o momento ainda não houve registros, mas estamos torcendo para que o tietê-de-coroa seja avistado e comece a fazer parte das listas do eBird, tornando possível a criação de planos para a conservação da espécie.