Bicudinho-do-brejo-paulista: pequena ave que vive nos brejos de São Paulo

Bicudinho-do-brejo-paulista fêmea. Elvis Japão

Bicudinho-do-brejo-paulista fêmea. Elvis Japão

O bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicola) é uma das descobertas mais interessantes e recentes da ornitologia. Essa pequena ave mede cerca de 15 cm e foi descoberta próxima ao maior centro metropolitano da América do Sul, São Paulo, com registros confirmados nas cidades de Mogi das Cruzes, Biritiba-Mirim, Salesópolis, Guararema e São José dos Campos.

O primeiro indivíduo foi descoberto em 2004, mas a espécie só entrou para lista oficial de espécies de aves brasileiras em 2015 (CBRO – Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos). Infelizmente, assim que o bicudinho-do-brejo-paulista foi reconhecido como espécie, já entrou direto para a lista do Ministério do Meio Ambiente como criticamente ameaçada de extinção. O problema é que ele habita áreas muito vulneráveis de brejos naturais que estão desaparecendo ou sendo poluídos.

Bicudinho-do-brejo-paulista macho. Elvis Japão

Bicudinho-do-brejo-paulista macho. Elvis Japão

Atualmente, aproximadamente 13,5 milhões de pessoas vivem no Alto Tietê, e mais 3 milhões no Alto Paraíba do Sul. Essa grande presença humana se reflete num desordenado uso e ocupação do solo e um aproveitamento excessivo de recursos naturais no local, de forma que os brejos se tornam altamente vulneráveis à expansão das áreas dedicadas à agricultura, pecuária, mineração ou mesmo habitação.

Os brejos onde a espécie é encontrada são constituídos principalmente por taboa (Typha dominguensis) e piri (Schoenoplectus californicus), onde costuma se mover em voos curtos e saltos nos estratos mais baixos da vegetação do brejo, sem vocalizarem muito.  Em uma área de vida não maior que 0,60 ha, eles vivem em pares ou pequenos grupos familiares, defendendo seus territórios e forrageando em busca de insetos, tais como pequenos artrópodes ou larvas de borboletas.

A criação de unidades de conservação e a conexão entre as áreas de ocorrência dessa espécie podem contribuir para que ela não desapareça, de forma que perderíamos a única espécie de ave endêmica do estado de São Paulo.