Ararinha-azul: sucesso da reintrodução depende de caprinocultura sustentável na Caatinga

Ararinha-azul: sucesso da reintrodução depende de caprinocultura sustentável na Caatinga

A imagem da ararinha-azul voando novamente na Caatinga gravada pela jovem Damilys Oliveira ainda está viva na memória de todos nós.
Para que esta cena se torne comum, objetivo final do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), a reintrodução da espécie na natureza exige uma série de ações para ter sucesso.

A SAVE Brasil é uma das instituições parceiras no plano coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação das Aves Silvestres (CEMAVE/ICMBio). Desde 2012, a SAVE Brasil vem desenvolvendo atividades no município de Curaçá na Bahia, local onde está prevista a reintrodução da espécie, considerada extinta na natureza.

Uma das linhas de atuação do plano é a preservação do habitat natural da ararinha, especificamente das matas ciliares dos riachos Melancia e Barra Grande, locais onde viviam os últimos indivíduos selvagens da espécie. Essa linha de ação é prevista no objetivo 4 do PAN, alvo do projeto coordenado e executado pela SAVE Brasil.

No semiárido nordestino, não se pode falar em preservação de habitat sem levar em consideração os efeitos negativos da caprinocultura extensiva. A prática da criação dos animais em sistemas conhecidos como fundo de pasto exerce pressão na vegetação da Caatinga devido, principalmente, ao pastejo de animais criados soltos. Cenas das mais comuns em Curaçá são as cabras se alimentando das folhas e até mesmo do córtex de alguns arbustos e árvores.

Diante disto, uma das primeiras ações da SAVE Brasil na região foi impedir o acesso desses animais a algumas áreas, por meio da instalação de cercas em uma área cedida à restauração da Caatinga.

Área à direita vem mostrando a recuperação da vegetação nativa da Caatinga após o controle de acesso das cabras.

Área à direita vem mostrando a recuperação da vegetação nativa da Caatinga após o controle de acesso das cabras.

Atualmente o projeto está viabilizando a instalação de duas propriedades modelo para demonstrar práticas corretas da produção de bancos de proteínas, o que suplementará a alimentação dos caprinos. Na última semana foram adquiridos e distribuídos materiais, equipamentos e insumos para as propriedades. Além disso, parcerias com o governo municipal permitiram o preparo mecanizado do solo nas propriedades. Durante os próximos dias, um mutirão fará o plantio de palma-forrageira e sorgo, plantas-chave e adaptadas ao semiárido nordestino.

Solo preparado ao plantio em uma das propriedades beneficiadas pela implementação das práticas de banco de proteína.

Solo preparado ao plantio em uma das propriedades beneficiadas pela implementação das práticas de banco de proteína.

O objetivo desde projeto é apresentar aos pequenos produtores rurais da região o ganho de produtividade com a suplementação alimentar dos animais, evitando o modelo atual utilizado, predatório à Caatinga e pouco produtivo.

Sem o correto manejo dos caprinos na região, um desafio cultural grande, a recomposição da vegetação nativa é pouco eficaz, e traz desafios a um ecossistema equilibrado e adequado à soltura das ararinhas-azuis.