Araponga, a ave que é impossível não escutar

Araponga (Procnias nudicullis). Adriane Nassralla Kassis

Araponga (Procnias nudicullis). Adriane Nassralla Kassis

A araponga (Procnias nudicollis) é uma espécie de ampla ocorrência na Mata Atlântica, com distribuição que vai do nordeste ao sul do Brasil, passando por Argentina e Paraguai. Destaca-se na mata graças à cor branca contrastante do macho com a vegetação, e uma vocalização inconfundível que lembra um martelo numa bigorna. A fêmea, no entanto, é verde-oliva, com a cabeça cinza e a parte inferior amarela com estrias amarelo-esverdeadas e cinzentas, se camuflando mais facilmente na mata. Devido a fragmentação da Mata Atlântica e da caça ilegal da espécie para criação em gaiola, ela hoje se encontra ameaçada de extinção (VU – Vulnerável).

A espécie é encontrada principalmente em regiões montanhosas com altitude superior a 1000 metros. No sudeste do país, acredita-se que a araponga seja migratória, no entanto, esse padrão ainda é pouco conhecido e parece ser complexo. Alguns avistamentos têm sido feitos entre os meses de setembro e novembro em parques urbanos da grande São Paulo (p.ex. Parque Ecológico do Tietê, Ibirapuera e Instituto Butantan). Uma das hipóteses é que esses indivíduos sejam jovens em rota de migração e parem alguns dias nesses parques.

A ecologia migratória da espécie pode também estar relacionada com a frutificação do palmito-jussara (Eutrepes edules) o que também a torna uma importante dispersora dos frutos dessa palmeira tão ameaçada da Mata Atlântica.

Para entender um pouco sobre a rota migratória dessa espécie o Instituto americano Smithsonian está colocando GPS em alguns indivíduos no sul do Brasil e em breve teremos algumas informações preliminares sobre essa encantadora espécie.